Pesquisando um pouco sobre Noam Chomsky, cheguei até este site, onde encontrei diversos quadrinhos satirizando a figura de Chomsky. Veja uma amostra (clique nas imagens para ampliar):
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6 de dezembro de 2010
Borat - they dind´t get the joke
Vejam a notícia que o site da BBC Brasil veiculou há poucos dias:
Cidade Moderna
A sequência do original, Borat, My Brother (ainda sem título em português), conta a história de um jornalista americano chamado John que, após assistir ao primeiro filme Borat, decide visitar o Cazaquistão.
Cineasta cazaque dirige sequência de Borat
![]() |
| Borat - o filme original conta a história de um suposto repórter do país |
Um diretor de cinema do Cazaquistão filmou a continuação da famosa comédia e pseudodocumentário Borat, do britânico Sacha Baron Cohen.
A proposta do novo filme é ser uma comédia de humor negro que melhore a imagem do país, ridicularizado no filme original.
Quando foi lançado, em 2006, o filme de Cohen - que conta a história de um jornalista grosseirão que viaja do país aos Estados Unidos e sai em busca da atriz Pamela Anderson - causou ultraje no Cazaquistão e acabou sendo proibido em solo cazaque. O governo do país, inclusive, ameaçou processar Cohen por causa do filme.
O diretor do novo filme, Erkin Rakishev, diz não ter visto o lado engraçado da produção original e alegou que decidiu filmar uma continuação para corrigir a imagem do país criada pelo personagem de Cohen.
"Todo cazaque que vai ao Ocidente sente desconforto ao dizer de onde vem porque os ocidentais associam o país ao filme Borat ", disse Rakishev à BBC.
Cidade Moderna
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| Rakishev não viu graça no filme original |
Ele sai à procura do vilarejo fictício de Kusek, onde o personagem Borat teria nascido, mas encontra uma cidade moderna e desenvolvida.
"No filme, John se lembra de que Borat havia mencionado seu irmão Bilo, que tem um problema mental. Ele encontra Bilo em um hospital psiquiátrico ao lado de Osama Bin Laden e George Bush, e é assim que o filme começa", disse o diretor. Bilo leva John em uma viagem por seu país para mostrar a ele o verdadeiro Cazaquistão.
Para o diretor, Borat realmente ofendeu sua nação. "Acho que (o filme) passou do limite. Talvez eles só quisessem fazer uma piada, mas nos diminuíram, nos insultaram, nos misturaram com sujeira, nos compararam a animais, nos representaram como um povo bárbaro e selvagem."
"Você diz que todos entendem que foi uma piada, mas não concordo, porque a maioria das pessoas acredita no que vê e ouve", alegou o diretor.
Polêmicas
Mas o filme de Rakishev também inclui algumas cenas polêmicas. Em uma delas, Bilo é estuprado por um jumento e, em outra, uma mulher idosa é vista batendo nos dois personagens principais com uma vareta. Rakishev nega que essas cenas possam ofender algumas pessoas, afirmando que "se o irmão de Borat tivesse estuprado o jumento, talvez isso pudesse ser considerado ultrajante, mas é o oposto".
O diretor diz que as piadas do filme podem ser pesadas, mas não ofensivas, e que leva em conta as opiniões do público ocidental. "Queremos que o público ocidental assista (ao filme) e tenha uma melhor compreensão de como é o Cazaquistão na realidade", disse ele.
Após o sucesso do primeiro Borat, que arrecadou quase US$ 240 milhões em bilheterias, Rakishev acredita que sua sequência também vai ser um grande sucesso quando for lançada, no ano que vem. "Nos últimos três anos, fiz seis filmes no Cazaquistão e posso lhe dizer que meus filmes são populares, viram sucessos imediatos."
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O que dizer de toda a polêmica levantada com o filme original? Well, they simply didn´t get the joke... Borat não retrata como é o Cazaquistão, mas como o povo do oriente médio é visto pelos americanos: um bando de bárbaros, sujos, imorais e terroristas (vide o conselho que Borat recebe no rodeio na Califórnia, para tirar seu bigode e se distinguir dos terroristas).
Com um humor ao mesmo tempo escrachado e ingênuo, o personagem de Sacha consegue arrancar das pessoas suas características menos louváveis. "Sem querer", Borat descortina as 'barbaridades' não do Cazaquistão, mas dos Estados Unidos. Isto porque, como vimos anteriormente, é justamente em situações "impensadas" que deixamos transparecer nossos frames. E é através de situações provocativas que vemos no filmes muitas metáforas do povo americano.
Não me estenderei listando tudo o que pude encontrar no filme, porque creio que isto foi feito em aula. Em todo caso, vou citar duas passagens do filme que mais me chamaram a atenção:
- Qual a melhor arma para matar um judeu? Diante desta pergunta, o vendedor de armas sulista nem sequer titubeia. Oferece uma bela de uma arma sem nem se surpreender com a pergunta... Até tenho medo de pensar em uma metáfora.
- A distância Nova Iorquina: a metáfora 'perto=bom' não se aplica em Nova Iorque, muito menos após o 11/09. Neste contexto 'paranóico', 'perto=perigo'.
Com um humor ao mesmo tempo escrachado e ingênuo, o personagem de Sacha consegue arrancar das pessoas suas características menos louváveis. "Sem querer", Borat descortina as 'barbaridades' não do Cazaquistão, mas dos Estados Unidos. Isto porque, como vimos anteriormente, é justamente em situações "impensadas" que deixamos transparecer nossos frames. E é através de situações provocativas que vemos no filmes muitas metáforas do povo americano.
Não me estenderei listando tudo o que pude encontrar no filme, porque creio que isto foi feito em aula. Em todo caso, vou citar duas passagens do filme que mais me chamaram a atenção:
- Qual a melhor arma para matar um judeu? Diante desta pergunta, o vendedor de armas sulista nem sequer titubeia. Oferece uma bela de uma arma sem nem se surpreender com a pergunta... Até tenho medo de pensar em uma metáfora.
- A distância Nova Iorquina: a metáfora 'perto=bom' não se aplica em Nova Iorque, muito menos após o 11/09. Neste contexto 'paranóico', 'perto=perigo'.
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31 de outubro de 2010
Quadro político de forças nas eleições legislativas de 2 de novembro e os latinos: Nevada, um resumo nacional
No post anterior procurei analisar o peso do movimento cada vez mais presente e influente do Tea Party Movement nas eleições legislativas de novembro. Agora, a vésperas destas, proponho um pequeno estudo sobre outra importante parte da sociedade norte-americana neste processo: os latinos. Mas desta vez, entretanto, me focarei sobre um Estado específico, o de Nevada (oeste do país).
O motivo desta escolha é que em Nevada encontramos uma disputa que simboliza aquilo que ocorre em todo o país: democratas enfrentando o perigo crescente de perderem seus postos para outras forças não tradicionais em áreas nas quais eles sempre foram predominantes.
No caso de Nevada temos o senador Harry Heid, líder democrata no senado e a mais de 16 anos no poder, tentando seu quinto mandato consecutivo, contra a nova força política e extremista representada pela candidata republicana, provinda do Tea Party Movement, Sharron Angle.
eafirmando o que foi dito, o professor Eric Herzik, professor da Universidade de Nevada afirmou que ‘ a eleição aqui no Estado [de Nevada] diz respeito á disputa nacional ’, fazendo referencia a dificuldade de obter votos por parte dos democratas em seus redutos tradicionais frente novas forças na política norte-americana.

Voltando ao caso dos latinos, ainda que não seja um fenômeno tão atual como o Tea Party Movement, existe um consenso de que a parcela dos latinos dentro dos Estados Unidos representa cada vez mais um eleitorado considerável no país e por isso deve ser incluída como parte da estratégia do jogo político de ambos os partidos nas eleições.
Juntos eles representam algo em torno de 12 milhões de votos no país. No estado de Nevada eles são 14% do eleitorado total. “Nevada é o Estado em que os eleitores latinos têm a maior chance de influenciar o resultado”, disse à BBC Brasil o cientista político Matt Barreto, professor da Universidade de Washington especializado em voto latino. Segundo ele nos últimos 8 anos o número de latinos chegou a dobrar em Nevada.
No estado isso já foi percebido tanto pelo partido democrata, que sabe que depende mais do que nunca dos votos provindo dos latinos, já que grande parte de seu eleitorado não latino – não satisfeito com a situação econômica do país – pode votar em candidatos republicanos como punição a seus antigos políticos democratas;
Mas também pelos republicanos, que ainda que não lancem campanhas ou mensagens que sinalizem uma vontade de incluir essa parcela da população em seu governo, são acusados de divulgarem um vídeo no qual se pede que os latinos não votem como protesto e revolta as promessas, segundo eles não cumpridas, pelo presidente Obama em sua campanha presidencial de 2008.

Do lado dos democratas um levantamento da National Association of Latino Elected and Appointed Officials indica que 65% dos hispânicos registrados para votar apoiam candidatos democratas ao Congresso. Entretanto existe o medo de que os latinos não saiam de suas casas para votar no próximo dia 2 ou ainda vote em um candidato republicano. A falta de reforma para imigrantes desestimula o voto de hispânicos em ambos os partidos, mas essa perda pode ser mais sentida pelos democratas.
Por isso mesmo o presidente Barack Obama vem pedindo aos eleitores latinos que compareçam às urnas no dia 2 de novembro para seguir lutando pela reforma migratória no país e combater o "não se pode" dos republicanos. Na última terça feira o presidente afirmou que "em 2008, nos propusemos a missão de mudar o rumo deste país. A
comunidade latina nos ajudou a realizar essa grande mudança", ao reconhecer que alguns assuntos ainda estão pendentes. Em seguida continuou afirmando que "sabemos que muitos estão frustrados por estar no final da fila", mas "ainda há muito trabalho a fazer, em matéria de trabalho e imigração, pequenos negócios que temos de terminar".
Já os republicanos não apelam aos latinos, mesmo porque não é de seu interesse incluir essa parcela da população em seu plano de governo, muito pelo contrário. O centro da campanha da candidata Sharron Angle em Nevada consiste em denunciar a má situação econômica do Estado.
Com sua economia baseada no turismo e na construção civil, dois setores fortemente atingidos pela crise econômica, a cidade de Reno é um retrato do que ocorre em Nevada, Estado com alguns dos piores indicadores econômicos do país. Entre as principais propostas da candidata estão á redução da interferência do Estado, de gastos públicos e de impostos, e a oposição a quase todas as medidas do governo Obama, desde a reforma do sistema de saúde até os pacotes de resgate aos bancos.
Mas se engana quem pensa que ela não está preocupada com o eleitorado latino na região. Um vídeo publicado por um grupo chamado Latinos for Reform, diz que o presidente Barack Obama e os políticos democratas prometeram uma ampla reforma da imigração, mas não levaram a promessa adiante em dois anos de governo. O senador Harry Heid, em um de seus comícios pelo Estado afirmou que o vídeo é um dos anúncios políticos de sua opositora, que nega o fato.
Nele não se vê o nome da candidata ou de seu partido, mas sim uma narrativa crítica ao partido democrata por não ter realizado suas promessas para com a parcela latina no país. Caso confirmado a ligação do vídeo a Sharron Angle, se trataria de uma estratégia política de tentar utilizar o fraco desempenho do presidente Obama, pelo menos naquilo que concerne a sua promessas para com os latinos, contra os democratas, anulando essa potencial massa de votos democratas em um momento no qual eles precisam desses votos.
Seja como for a questão dos latinos é importante não só em Nevada mas em todo o país, já que abrange diversos campos: o político, o social, a economia e até a estratégia de política eleitoral a ser utilizada.
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28 de outubro de 2010
Como os desenhos explicam a América
Vamos hoje falar de um assunto que nos agrada desde que éramos meras crianças e nem pensávamos em estar um dia fazendo um texto sobre desenhos para a nossa faculdade. Na verdade, até poderíamos sonhar em um dia estudar em um lugar que nossos trabalhos acadêmicos fosse ver desenhos e falar sobre eles. Confesso que pelo menos eu, já senti isso.
Parece ser um assunto que pode ser muito bem levado na brincadeira, porém, a relação que os desenhos dos EUA têm com a definição de questões e opiniões sociais do país é muito grande e histórica. Em meu post, mostrarei alguns momentos no qual o recurso "desenho animado" foi utilizado para conquistar seguidores de um ideal tipicamente norte-americano.
Vamos direto aos tópicos:
1. O New Deal: Quem tem medo da depressão agora?
Em uma das obras primas de Walt Disney que fez a infância de todos nós, vemos a velha história dos Três Porquinhos. Ameaçados pelo temido Lobo Mau, os três irmãos constroem casas finalizando proteção contra o predador. Conhecemos muito bem esse conto: A primeira casa, de palha, é construída e destruída. A segunda, de madeira, sofre do mesmo destino. Já a terceira, feita de tijolos e com mais tempo e dedicação para a construção, aguenta o tranco do poderoso sopro do Lobo.
O que pode ser novo para nós e a assimilação que esta historinha infantil tem com o período do New Deal pós o Grande Crash de 1929. "Os novos rumos", política elaborada pelo presidente FDR tinham como objetivo, reerguer a América. Mesmo que fossem necessários empregos 'inúteis" como construções feitas para serem destruídas ( como as casas de palha e madeira), a geração de trabalho, geraria renda.
A última casa, de tijolos, é a mais simbólica. Demorou mais tempo para ficar pronta, precisou de mais dedicação e mais trabalho. Foi mais custosa. Não foi simples, foi complexa. Um processo "democrata" (do partido democrata). Porém, ao final, é esta casa que barra de vez o Lobo Mau. Seria então, a empreitada mais demorada e trabalhada que barra de vez a depressão. Ao final, com o Lobo derrotado e os outros porquinhos salvos, os três cantam "Quem tem medo do Lobo Mau?" e para o povo americano a mensagem seria "Quem tem medo da depressão?"
O que pode ser novo para nós e a assimilação que esta historinha infantil tem com o período do New Deal pós o Grande Crash de 1929. "Os novos rumos", política elaborada pelo presidente FDR tinham como objetivo, reerguer a América. Mesmo que fossem necessários empregos 'inúteis" como construções feitas para serem destruídas ( como as casas de palha e madeira), a geração de trabalho, geraria renda.
A última casa, de tijolos, é a mais simbólica. Demorou mais tempo para ficar pronta, precisou de mais dedicação e mais trabalho. Foi mais custosa. Não foi simples, foi complexa. Um processo "democrata" (do partido democrata). Porém, ao final, é esta casa que barra de vez o Lobo Mau. Seria então, a empreitada mais demorada e trabalhada que barra de vez a depressão. Ao final, com o Lobo derrotado e os outros porquinhos salvos, os três cantam "Quem tem medo do Lobo Mau?" e para o povo americano a mensagem seria "Quem tem medo da depressão?"
2. II Guerra Mundial: A importância de pagar impostos.
Neste vídeo, The Spirit of 43, observamos o diálogo entre nosso querido e famoso Pato Donald com duas "personalidades" suas que entram em conflito. Donald acaba de receber o seu tão suado salário e quer aproveitar! Surge assim, uma de suas "personalidades", o Gastão. Um cara malandrão que incentiva Donald a gastar toda sua grana que literalmente está queimando no bolso. Donald, claro fica muito tentado. Porém, é aí que aparece outra "personalidade", o Tio Patinhas, mostrando que em breve, será o dia em que todos devem pagar seus impostos.
A importância do pagamento é justificada para o bem da nação e enquanto isso a queima do dinheiro é justificada pela liberdade do indivíduo de fazer o que quer. Logo, temos dois frames em conflito. Mas, após uma disputa por Donald, as duas faces do pato acabam mostrando aos espectadores um conflito maior ainda.
Em 1943, estávamos em plena guerra na Europa. Os EUA estavam já na luta e precisavam do pagamento de impostos para financiar a gigantesca indústria. Assim, Gastão (que aparece com um bigodinho extramente conhecido) que cai em um saloon com a porta que forma a suástica (símbolo nazista) e Tio Patinhas que é lançado na parede que quebra formando um desenho parecido coma bandeira dos EUA travam uma verdadeira batalha pelo dinheiro, ou melhor, pelo pensamento de Donald.
Os frames então passam a ser: apoio ao inimigo X apoio à nação. Donald finge que irá se inclinar aos interesses de Gastão, mas dá um soco no malandro, que cai no mesmo salooon (e a porta, desta vez transforma-se em um V, de vitória). E assim, o pato mais famoso do mundo vai pagar seus impostos para que a América não sofra revezes na guerra. A partir daí, começa uma explicação bem explícita sobre os benefícios do pagamento dos impostos para a vitória aliada sobre o Eixo. Esse é com certeza o filme em desenho com mais frames ativados e mensagens políticas do mundo. Sem exageros.
A importância do pagamento é justificada para o bem da nação e enquanto isso a queima do dinheiro é justificada pela liberdade do indivíduo de fazer o que quer. Logo, temos dois frames em conflito. Mas, após uma disputa por Donald, as duas faces do pato acabam mostrando aos espectadores um conflito maior ainda.
Em 1943, estávamos em plena guerra na Europa. Os EUA estavam já na luta e precisavam do pagamento de impostos para financiar a gigantesca indústria. Assim, Gastão (que aparece com um bigodinho extramente conhecido) que cai em um saloon com a porta que forma a suástica (símbolo nazista) e Tio Patinhas que é lançado na parede que quebra formando um desenho parecido coma bandeira dos EUA travam uma verdadeira batalha pelo dinheiro, ou melhor, pelo pensamento de Donald.
Os frames então passam a ser: apoio ao inimigo X apoio à nação. Donald finge que irá se inclinar aos interesses de Gastão, mas dá um soco no malandro, que cai no mesmo salooon (e a porta, desta vez transforma-se em um V, de vitória). E assim, o pato mais famoso do mundo vai pagar seus impostos para que a América não sofra revezes na guerra. A partir daí, começa uma explicação bem explícita sobre os benefícios do pagamento dos impostos para a vitória aliada sobre o Eixo. Esse é com certeza o filme em desenho com mais frames ativados e mensagens políticas do mundo. Sem exageros.
3. II Guerra Mundial: A luta.
Neste episódio do marinheiro mais famoso do mundo, vemos uma mensagem bem clara: Um recado para os inimigos da América na II Guerra, os japoneses. Não há muito o que se descobrir, basta ver o episódio para observar a importância de que uma mensagem como essa fosse divulgada a todos, principalmente às crianças. Assim, as mesmas saberiam o quão perigoso eram os japoneses e o que eles poderiam aos americanos. Logo, o patriotismo era despertado. Além disso todos os estereótipos dos japoneses são mostrados: traiçoeiros e suicidas. Algo prejudicial pois formou também em uma geração da sociedade americana, o preconceito contra asiáticos em geral.
4. Pós 11/9: O medo de muçulmanos.
Chegando aos temas atuais. Vemos que tudo agora é feito com mais cuidado. As mensagens claras não existem mais e os desenhos que tratam de assuntos sérios são voltados para os adultos e não mais para as crianças. South Park é um desenho adulto. Tem temáticas adultas e, preferencialmente, não é para ser visto para crianças. Logo, as mensagens e frames devem ser absorvidos por adultos. O que, perigosamente, não acontece.
Neste trecho de um capítulo, vemos uma discussão que gira em torno da figura mais sagrada do Islã (o "novo inimigo da América). Maomé, que não deve jamais ter sua imagem divulgada, aparece no capítulo disfarçado de urso e se fala alguma coisa audível, esta é censurada. Todo e qualquer programa que faça alusão ao profeta muçulmano é passível de represálias fortes de países árabes. Este não foi um caso isolado. Acusado de causar discriminação aos valores islâmicos e incitação do terror. O episódio, após passar, foi banido. O que virou um prato cheio à ala conservadora americana, que quer inserir em todos os cidadãos o frame de que os seguidores de Maomé são inimigos.
5. Eleições de 2008: A vitória de Obama.
Para finalizar, temos o mais recente grande momento da política norte-americana. A eleição de Obama. Como as mensagens agora são mais voltadas aos desenhos adultos. Temos para tal fato, Os Simpsons. Neste trecho do capítulo, vemos que Homer foi votar. Por incrível que pareça, esta é a informação. Homer foi ao local de votação e ainda votou em Barack Obama, dizendo que queria mudança.
Apesar do problema que o mesmo enfrenta com a máquina, vemos aqui uma poderosa mensagem: A da importância de votar. Homer, o homem mais despreocupado dos Estados Unidos votou. Se ele votou, então é praticamente obrigatório que qualquer pessoa vote. Homer votando em Obama ainda tornou o fato ainda mais forte. Assim, o frame de mudança foi inserido em milhões de americanos, que acabaram por eleger Obama (não pelo desenho, mas com uma grande ajuda do mesmo).
Apesar do problema que o mesmo enfrenta com a máquina, vemos aqui uma poderosa mensagem: A da importância de votar. Homer, o homem mais despreocupado dos Estados Unidos votou. Se ele votou, então é praticamente obrigatório que qualquer pessoa vote. Homer votando em Obama ainda tornou o fato ainda mais forte. Assim, o frame de mudança foi inserido em milhões de americanos, que acabaram por eleger Obama (não pelo desenho, mas com uma grande ajuda do mesmo).
Desenhos e TV continuam sendo o carro chefe da comunicação em massa nos EUA. Uma idéia colocada nestes meios, será de rápida assimilação e o frame embutido nela, será absorvido rapidamente.
Os EUA sabem usar isso, tanto para definir inimigos, como para defender posições.
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26 de outubro de 2010
Semana acadêmica - grupo 2: O despertar da nova mulher conservadora
Na abordagem sobre o "despertar" da mulher conservadora, nossa apresentação lançou mão de alguns vídeos.
1) Mamma Grizzly/ Sara Palin
2) Trailer "Fire from the heart land"
Vou me focar nesse vídeo.
O trailer mostra muito bem qual é a nova orientação dessas mulheres conservadoras. Quase todas reivindicam uma pureza vinda da "Heartland", a qual remonta a imagem dos peregrinos norte americanos que vinham do "infecto" continente europeu para o "puro" novo mundo.
A oposição entre "puro" e "infecto" (ou viciado) é bem posta aqui na dicotomia Heartland x Nova York (est- west coast em geral). A esse respeito, o professor fez um comentário bem interessante sobre a corrupção que consome as beiradas do país x a posição imaculada do meio oeste. No que se refere as mulheres, é marcante no vídeo que as mulheres nova iorquinas (representadas por Lady Gaga e Sex and the city) são o alvo dessas conservadoras, exatamente por que se distanciam da família nuclear, dos valores cristãos (quando, como é o caso de Lady Gaga, se unem a causa gay) e até mesmo da maternidade. Afinal, "motherhood is a political act (period!)".
Outro ponto marcante, relaciona-se ao fato de que, a despeito da visão de que as mulheres conservadoras são essencialmente Wasps, neste caso fica claro que o movimento é mais multiétnico do que se imaginava.
3) Ann Coulter
4) Sonnie Jackson
5) Chritine O' Donnell
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25 de outubro de 2010
Semana acadêmica - grupo 3: Eua e o terrorismo
1)Reforço de tropas no Afeganistão
a)discurso de Obama
2)Resolução 248
Metáforas:
- democracia é pureza, deve ser protegida de contaminações
- é também missão, destino manifesto - obrigação de defender o país
- democracia = obrigação
- soldados são vítimas - morrendo por metais preciosos
- guerra defensiva é justa
- Afeganistão - não é defesa. não é guerra, é erro. Logo, é irracional
- Política externa como caminho - destino
- Afeganistão e Iraque = desvio do caminho
- Afeganistão atrasado, medieval
- propósito maior para a nação = coletivo sobre o individual
- governo do povo = nação como família
- propósitos são perenes
- impérios são efêmeros
- interesses econômicos são desvirtuosos
b)Republicanos a favor da retirada de tropas- Ron Paul (conservador, representante do Texas)
Metáforas:
c)Republicanos a favor da permanência de tropas - Ileana Ros-Lehtinen (conservadora, representante da Flórida)
Metáforas:
a)discurso de Obama
Metáforas:
2)Resolução 248
Elaborada em 03/2010 por Dennis Kucinich (democrata, representante de Ohio no congresso) com o apoio de 16 parlamentares (dentre os quais, somente um republicano). Impunha um deadline (12/2010) para retirar as tropas do Afeganistão.
a)Democratas a favor da retirada de tropas- Dennis Kucinich (Ohio)
Metáforas:
- democracia é pureza, deve ser protegida de contaminações
- é também missão, destino manifesto - obrigação de defender o país
- democracia = obrigação
- soldados são vítimas - morrendo por metais preciosos
- guerra defensiva é justa
- Afeganistão - não é defesa. não é guerra, é erro. Logo, é irracional
- Política externa como caminho - destino
- Afeganistão e Iraque = desvio do caminho
- Afeganistão atrasado, medieval
- propósito maior para a nação = coletivo sobre o individual
- governo do povo = nação como família
- propósitos são perenes
- impérios são efêmeros
- interesses econômicos são desvirtuosos
b)Republicanos a favor da retirada de tropas- Ron Paul (conservador, representante do Texas)
Metáforas:
c)Republicanos a favor da permanência de tropas - Ileana Ros-Lehtinen (conservadora, representante da Flórida)
Metáforas:
GRUPO
| Fernando, Aline, Diego e Victor. |
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terrorismo
18 de outubro de 2010
I really love my hair
Hoje vamos falar de cabelo. Sim, cabelo.E você, amigo XY que pensou “putz, que assunto feminino chato” por favor não vá embora. Cabelo é uma coisa que afeta a vida das pessoas de maneiras que nem sempre são óbvias.
Quando comecei a fazer a pesquisa para esse post, uma das expressões que mais vi era que o cabelo é a honra e a glória de qualquer mulher (os gringos dizem que é o ‘crowning glory’). E me coloquei a pensar de onde que essa expressão poderia ter saído. Não foi muito surpreendente descobrir que essa história toda de honra e glória veio do nosso grande bestseller, a Bíblia. Em Coríntios 11:15, temos “Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu.” (na King James: “But if a woman have long hair, it is a glory to her: for [her] hair is given her for a covering.”)
Uma das jovens entrevistadas por Chris Rock diz que não contrataria uma colega que usa o cabelo afro para trabalhar em seu escritório, já que ter um afro e vestir um terno é, para ela, uma contradição. Analisando a fala da jovem, podemos perceber que, para ela, terno = sucesso, cabelo afro = fracasso. O cabelo não-alisado não faz parte do frame de sucesso e profissionalismo normalmente associado com o mundo corporativo. Não encontrei um vídeo dessa parte do filme, mas essa passagem é citada nessa reportagem da NPR.
Nesse vídeo abaixo, pule direto para os 4 minutos para ver a opinião de uma escritora convidada do programa da Tyra Banks sobre a origem da expressão ‘good hair’.
De acordo com ela, a origem da expressão pode ser encontrada na época da escravidão, quando escravos que tinham ‘good hair’ tinham melhores chances de sobrevivência e trabalho: o cabelo podia representar que talvez fossem filhos do senhor, proporcionando oportunidade de trabalhar dentro de casa onde teriam acesso à educação.
O cabelo afro é fonte de tanta discussão nos EUA que até o Sesame Street, programa para crianças produzido pela PBS, abordou o tema recentemente:
Mas o que isso tudo tem a ver com os US of A, você me pergunta. Veja o seguinte vídeo:
O trailer acima é de Good Hair, documentário lançado em 2009, no qual Chris Rock procura as raízes da obsessão norte-americana (especialmente das mulheres negras) pelos alisamentos e extensões para cabelo. Rock, instigado por uma pergunta de suas filhas ("Why don't we have good hair?") investiga o que, exatamente, é esse 'good hair' de que falam e as conseqüências que os tratamentos capilares trazem. Essas conseqüências são constatadas não só nos EUA, mas também na Índia, de onde provém grande parte do cabelo utilizado para fazer extensões.
Tyra Banks explica o conceito de ‘good hair’ em um episódio de seu talk show dedicado especialmente ao tópico:
Banks levanta algumas estatísticas: apesar das mulheres negras representarem somente 6% da população total dos EUA, elas representam 80% do consumo total de produtos de cabelo. Algumas mulheres entrevistadas dizem que o cabelo alisado parece ser mais profissional. Kelley oferece oposição: defende que as mulheres negras precisam aprender a cuidar do seu cabelo em sua forma natural ao invés de procurar maneiras não naturais de transformá-lo. Kelley também diz que o alisamento representa conformação à uma norma.
11 de outubro de 2010
Don't ask... Don't tell
Olá pessoal,
Aqui estou para mais um post.
Como disse no outro post, viria novamente com a temática gay. Considero que a homossexualidade dentro das engrenagens de poder na sociedade norte -americana é algo muito interessante. Como Roy Cohn, protagonista do meu outro post, quantos outros homens e mulheres não tem que levar uma vida dupla para escapar do frame "homosexual" ou numa terminologia mais recente : "gay".
Para começar, o que é a lei don't ask don't tell? Essa lei tem algo como 17 anos de vida e, segundo ela, militares gays estão proibidos de se manifestar em relação a sua sexualidade e os heteros de perguntar a respeito.
Atualmente, nos EUA existe um movimento para que essa lei caia. E olha só quem está liderando:
Sim! Lady Gaga! A voz de uma geração. Neste vídeo, diferente de suas outras aparições públicas, Lady Gaga aparece num look mais sóbrio. E logo atrás dela a bandeira do EUA. Apesar disso, usando o nosso vocabulário, ela não deixa de ser um "container for ideas". Quem olha para ela, esteja do jeito que estiver, sabe bem para o que está olhando.
Nesse vídeo, Gaga fala repetidamente na necessidade de "proteger a Constituição". Quando contando alguns "causos" envolvendo soldados gays, a pop star fala em "proteger America". No final: "Thank you, god bless" (!) . Ela também sabe operar com frames.
Em outro discurso:
Aí, mais um festival. "Core american values", " I thought our Constitution was ultimate", " I thought equality was non- negotiable". Mais apelos a Constituição. Sendo Gaga a figura pouco usual que é, para se enderessar a toda a nação é necessário usar frames facilmente acessado por todos.
Mudando um pouquinho de canal...
Nossos amigos aí, não parecem ser contrários ao fim da lei. Mas... querem saber : não está meio tarde para isso? Bom, Lady Gaga diria, não se você serve no exército agora. Bom, a lei na verdade para a Fox é a coadjuvante, o mais importante é... falar mal de Obama.
Mudando de canal mais uma vez e espectro político:
Nesse vídeo, infinitamente mais engraçado do que o outro, Bill Maher diz o porquê de revogar a lei. Primeiro, dar a Rush Limbaugh e outros Tea Baggers algo para expressar sua "Anger" inerente. E também, porque é mais simples de entender o que significa "gay" do que "health care".
Bem "common sense": simples e fácil de usar! Um frame ótimo para causar uma explosão política.
Bom, that's about it!
Hasta!
Isadora.
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6 de outubro de 2010
Liberais ou conservadores: quem é mais inteligente?
Satoshi Kanazawa, psicólogo e pesquisador da London School of Economics and Political Science. publicou na revista científica Social Psychology Quarterly da American Sociologial Association, em março deste ano, um artigo através do qual ele defende a hipótese de que os liberais são mais inteligentes do que os republicanos. Melhor dizendo, que as pessoas de QI mais alto são mais propensas a se autoproclamarem liberais, ou democratas.
A hipótese de Kanazawa sugere que pessoas mais inteligentes são mais inclinadas a adotar o que ele chama de "prefências e valores evolucionários". São valores e preferências os quais os seres humanos não teriam uma tendência natural a adotar, eles teriam sido adquiridos ao longo da evolução humana, durante milhões de anos, e portanto não eram detidos por nossos ancestrais.
Os valores e preferências detidos por nossos ancestrais seriam, por sua vez, os de cunho "familiar", ligados a um certo instinto de preservação. Por esta razão, o ser humano seria naturalmente conservador, assim como seus ancestrais. E à medida que "evolui", caminha para uma tendência mais liberal, propensa a abrir seu "leque familiar" a pessoas estranhas, assumindo causas mais "cosmopolitas".
Este argumento baseia-se na ideia de que a habilidade do raciocínio foi se desenvolvendo em nossos ancestrais à medida que lhes apareciam situações inesperadas, às quais não haviam soluções inatas.
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| Os liberais se acham mais inteligentes... |
Um estudo mais antigo de Kanazawa revelou que indivíduos mais inteligentes têm hábitos noturnos, se levantam mais tarde e ficam acordados até mais tarde do que pessoas menos inteligentes.
Segundo o pesquisador, isto se dá porque nossos ancestrais, por não possuírem luz artificial, tendiam a se levantar pouco antes do amanhecer e se deitarem pouco antes do pôr-do-sol. Portanto, hábitos noturnos foram sendo adquiridos conforme a evolução humana.
Segundo o pesquisador, isto se dá porque nossos ancestrais, por não possuírem luz artificial, tendiam a se levantar pouco antes do amanhecer e se deitarem pouco antes do pôr-do-sol. Portanto, hábitos noturnos foram sendo adquiridos conforme a evolução humana.
Em sua pesquisa atual, o autor baseia-se em dados da National Longitudinal Study of Adolescent Health (Add Health) para sustentar sua hipótese. Segundo tais dados, jovens que identificam-se como "liberais radicais" possuem um QI com média 106 durante a adolescência, enquanto os que se dizem "conservadores radicais" possuem QI na média de 95.
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| ... e os republicanos também! |
De maneira similar, a religião seria um subproduto da tendência humana de buscar causalidades por detrás de fenômenos naturais. Esta seria um tendência "paranóica", segundo o pesquisador, de todo ser humano, uma tendência inata também ligada ao instinto de preservação e proteção.
Tal institnto seria responsável pela manutenção da espécie, posto que os clãs de nossos ancestrais demandavam uma vigilância extrema contra ameaças potenciais. Por esta razão, crianças mais inteligentes seriam mais propensas a crescerem se posicionando contra esta tendência natural em acreditar em Deus, tornando-se atéias.
Para tal afirmação, Kanazawa utiliza o dado de que os jovens que não se consideram nada religiosos possuem um QI de média 103, enquanto os que se consideram muito religiosos ficam na média de 97.
A pesquisa de Kanazawa é certamente deveras polêmica. Primeiramente porque sabe-se que qualquer neutralidade científica é discutível em qualquer área do conhecimento. Já vimos em nosso curso que 99% de nossos pensamentos não são racionais. Nosso cérebro está impregnado de metáforas, as quais invocam frames diversos.
A pergunta que me veio em mente quando li tal pesquisa foi a seguinte: este estudo não revela um posicionamento político? É difícil acreditar que que o autor seria republicano, obviamente... Até que ponto esta pesquisa é racional, imune de metáforas construídas bilogicamente no cérebro do autor ao longo de sua própria vida?
Para além de um estudo cientificamente neutro, a pesquisa suscita uma sensação de "já vi este filme", quando pensamos no Darwinismo social. Afinal, dá a entender que os liberais estão à frente na escala evolutiva humana - não seria uma pretensão muito grande? Enfim, fica a reflexão para um possível debate, mesmo que limitado no âmbito deste blog.
E para terminar com um pouco de humor (assim como fechamos nossa última aula de política interna norte-americana), segue uma charge bastante interessante sobre as diferenças entre republicanos e democratas:
Fontes:
Confira também o artigo de Kanazawa na íntegra:
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29 de setembro de 2010
Há estratégia política?
Prezados,
Em minha primeira postagem neste meio de comunicação tão intrigante e influente que é o blog, falaremos do assunto do ano: Copa do Mundo! Não, é mentira. Falemos então do segundo assunto mais comentado do ano em nosso país: as eleições.
No Brasil, o ano já não começa definitivamente no dia 1º de Janeiro. Em anos considerados “normais” temos o início de um novo ano logo depois do Carnaval. Mas, de quatro em quatro anos temos um especial que não é o bissexto. E sim o de Copa do Mundo e de Eleições. Assim, deixamos para dar o nosso “Feliz Ano Novo!” aos nossos amigos e familiares só em Outubro. Bom, isso se não tivermos o segundo turno, caso contrário... Só em Novembro (aí também já é fim de ano de novo, e deixamos tudo mesmo pra depois da Quarta-Feira de Cinzas).
Esta, então, “precariedade do sistema brasileiro” reflete-se não só na nossa percepção de que 2010 nunca começou, mas também, e principalmente, na propaganda política. Não estou levantando a questões dos cômicos candidatos que este ano eleitoral nos introduziu e sim na campanha dos principais candidatos à Presidência da República.
Vamos começar pela candidata do nosso atual presidente: Dilma Roussef. A dita como sucessora de Lula, “mãe” dos projetos que visam o desenvolvimento de nosso país vem com um programa eleitoral à la "Lula Lá" mesmo. A mensagem a qual vemos é a mesma que elegeu e reelegeu Luís Inácio, voltada essencialmente aos menos desfavorecidos.
Se pensarmos um pouco em relação às discussões em aula, vamos aos assuntos dos frames. E qual seria este frame evocado pela candidata do PT? Simples. A resposta é a palavra “simples”. Dilma mostra em suas propagandas o desenvolvimento do Brasil e pessoas comuns, falando de assuntos corriqueiros, com uma linguagem mais fácil e direta. Sem muitos rodeios e sem a temida complicação que só despertaria nos eleitores confusão e desconfiança. Dilma estaria então tentando encontrar o "avarage brazilian". Assim como os republicanos nos EUA fazem.

A propaganda do PT mostra em Lula o "avarage brazilian", que sozinho e através de seus esforços e de uma vida totalmente cheia de desafios, chegou ao poder e conquistou o carisma e confiança de um povo todo. Pegando carona neste barco, Dilma conta sua história em um tom muito simplista (pois contar a fundo o que fez, não elevaria tanto a figura da batalhadora mulher) e mostra que o objetivo que Lula alcançou, também pode ser alcançado por ela e por qualquer um que saiba lutar por aquilo que é importante para o país. Somado a isso, temos todo um aparato de instituições de políticas públicas criadas em oito anos de governo que só ajudam a fixar a idéia. Nada mais que isso. Logo, temos apenas um grupo (porém grande em número) de brasileiros que se identificam com a mensagem, que têm o frame alocado em seus cérebros e que vão votar no 13 próximo dia 3.
Do outro lado, temos uma das campanhas mais atípicas e forçadas dos últimos anos. A do candidato tucano José Serra. A intenção é das boas, mas como todos nós sabemos, o inferno está cheio destas. O frame evocado desta vez é o da complexidade. Serra planeja mostrar os vários Brasis que existem e as várias camadas as quais ele deve atender. Em meio de várias propostas de Ministérios especiais, secretarias, projetos, mutirões, programas ele mostra que não só de avarege brazilians é feito o nosso país. Essa enxurrada de planos acaba por afogar não só o mais simples moradores dos profundo interior do Brasil, mas também o mais vanguardista morador de uma das grandes capitais.
O candidato e seus estrategistas não conseguem passar a ideia de que a complexidade é uma coisa boa de ser trabalhada e precisa ser trabalhada ainda mais em um Brasil como o nosso tão diverso. A face e o tom de voz cansados de Serra confundem o eleitor que ouve as diversas propostas, mas pensa que tudo não passa de um simples emaranhado de promessas difíceis de serem cumpridas, simplesmente por não serem simples. Somado a isso, temos uma linguagem mais aperfeiçoada e uma tentativa quase cômica que equiparar a mensagem de Serra aos mais pobres, com caricatos e forçados personagens “pobres” nas propagandas. A linguagem então vai atingir os mais favorecidos que tiveram mais oportunidades de estudar e enfim entender tudo o que o tucano tenta introduzir em seu programa. Logo, temos uma metáfora: Se não é simples, é ruim. E assim, vemos a candidata do PT (o qual o frame evocado atinge mais pessoas) aparece em todas as pesquisas de opinião de voto beirando seus 49,50 e 51%, o que já lhe daria vitória no primeiro turno.
Correndo quase avulsa a isso, temos a candidata do Partido Verde, Marina Silva, que ainda tenta emplacar o seu “Yes We Can” brasileiro, mostrando que uma imagem nunca relacionada ao Presidente da República também pode, e deve assumir o cargo mais importante do país. O difícil e lento desenvolvimento do desempenho de Marina e de sua "onda verde" deve-se a maior complexidade de seus projetos e linguagem (Marina é dita como a mais bem articulada e que melhor fala entre os três candidatos).
Depois desta análise, podemos concluir minha reflexão da seguinte forma: Há estratégia nas eleições brasileiras? Sim. Há estratégia política equiparada à dos EUA? Definitivamente não.
Nos EUA, os partidos Republicano e Democrata utilizam linguagem especial, ações especiais, mídias especiais e tudo mais que tiver de especial. Tudo é voltado para relacionamento com os eleitores. Há a tentativa de construir novos frames nas mentes americanas assim como há tentativa de reconstrução. Os candidatos batem na mesma tecla, mas sabem fazer uma coisa que ainda não foi desenvolvida no Brasil: A contra-estratégia. Isso, aqui na República Federativa do Brasil, os estrategistas ainda não sabem fazer muito bem...
Fico por aqui! Desejando que todos votem com sabedoria!
Até a próxima!
28 de setembro de 2010
A metáfora do "clout"
Olá pessoal,
Venho para o meu primeiro post com um vídeo tirado da série "Angels in America". Esta série da HBO é para mim um retrato interessante da sociedade norte-america, mais especificamente da sua intelligentsia, de meados dos anos 80.
Antes de qualquer comentário, vamos assistir esta parte:
A fala de Roy Cohn é organizada em forma de "labels" e norteada pela metáfora do "clout".
"Clout" pode ser entendido de duas formas (ambas marcadas no dicionário como informais):
1- A heavy blow with the hand or a hard object
2- influence or power, esp. in politics or business
O sentido segundo foi o que Roy quis dar, mas é interessante perceber que o primeiro significado tem algo agressivo implícito. Algo bem masculino, que parece imperar sobre toda e qualquer orientação sexual.
A partir da metáfora do "clout", Cohn explica ao Dr. Henry o que são na verdade os homossexuais (que parecem compor um frame nesta passagem). Segundo ele: "Homosexuals are men who know nobody, and who nobody knows. Who have zero clout".
O clout aparece para organizar o que é Roy Cohn, "A heterosexual man who fucks around with guys" e também aquilo que ele não tem - AIDS. Esta é a doença dos "homossexuais", não de Roy Cohn, um homem com clout.
O que eu pretendo com esta análise é apenas compartilhar algo que é interessante. Este diálogo está repleto de metáforas e frames. Talvez eu precise de um dia para destrichá-lo apropriadamente.
No meu próximo post, continuarei com a temática gay. E pretendo fazer um paraelo entre a fala de Cohn e a lei "Don't ask, Don't tell", a qual proibe homossexuais de se mostrarem como tais nas forças armadas norte- americanas.
Isadora.
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27 de setembro de 2010
COMO ASSUSTAR SUA PRÓPRIA POPULAÇÃO, by George W. Bush
Dica de leitura: Michael Moore – Cara, cadê o meu país?
Nesse livro, e mais incisivamente no capítulo 4 entitulado “Os Estados Unidos do BUU!, te assustei!”, Moore explica, critica e satiriza a campanha contra o terror (War on Terror) de George W. Bush divulgada para o mundo - pois já havia sido iniciada em 2000 - logo após os atentados de 11 de setembro de 2001.
O vídeo abaixo foi gravados em 20 de setembro de 2001, 9 dias após os ataques às torres gêmeas em NY. O objetivo aqui é analisar os “frames” evocados por Bush em parte de seu discurso, a fim de convencer, principalmente o povo norte-americano, da necessidade de se realizar uma Guerra contra o Terror.(infelizmente, não consegui baixar os videos para cortá-los, e por isso coloquei a primeira parte na íntegra e transcrevi os trechos após, adicionando meus comentários).
A RECEITA INFALÍVEL
1) Ingredientes: antes de começar, tenha sempre em mãos aqueles valores inquestionáveis para a sociedade ocidental e que nunca podem faltar num discurso como esse:
Tonight we are a country awakened to danger and called to defend freedom. Our grief has turned to anger and anger to resolution. Whether we bring our enemies to justice or bring justice to our enemies, justice will be done.
Americans are asking, why do they hate us? They hate what we see right here in this Chamber, a democratically elected government. Their leaders are self-appointed. They hate our freedoms—our freedom of religion, our freedom of speech, our freedom to vote and assemble and disagree with each other. 2) Modo de fazer (massa): Misture muitas palavras/características feias e cruéis para fazer uma massa, ou melhor, uma imagem bem reforçada a respeito do seu inimigo (afinal, até então boa parte dos norteamericanos não faz ideia do que é a Al Qeada)
They are the heirs of all the murderous ideologies of the 20th century. By sacrificing human life to serve their radical visions, by abandoning every value except the will to power, they follow in the path of fascism and nazism and totalitarianism.
3) Modo de fazer (recheio): Aqui não dá pra inventar muito, senão o gosto não fica como esperado. Por isso, garanta que sua fala seja clara e que se utilize de palavras absolutamente inquestionáveis, ou seja, aqueles ingredientes da vovó que nunca erram. (Aqui, podemos enxergar aquilo que vimos em aula de que existem algumas “palavras” em relação às quais a grande maioria das pessoas já possui um frame quase que absoluto, como é o caso do bem x mal. Ninguém é a favor do mal, certo? Logo, fazendo o link entre “terroristas” e “mal”, e entre “americanos” e “bem”, Bush e seus aliados convencem a muitos sobre quem eles devem apoiar, ou ao menos justificam para alguns o porquê das atitudes que viriam a tomar):
And we will pursue nations that provide aid or safe haven to terrorism. Every nation, in every region, now has a decision to make: Either you are with us, or you are with the terrorists. From this day forward, any nation that continues to harbor or support terrorism will be regarded by the United States as a hostile regime.
4) Modo de fazer (cobertura): a ideia aqui é fazer aquela lambança total após ter mexido bastante com o emocional dos telespectadores. Abuse dos antônimos e dos apelos diretos, para deixar todos bem confusos e acreditando que você é o único capaz de entender e resolver esse impasse:
Americans are asking, what is expected of us? I ask you to live your lives and hug your children. I know many citizens have fears tonight, and I ask you to be calm and resolute, even in the face of a continuing threat.
No one should be singled out for unfair treatment or unkind words because of their ethnic background or religious faith.
O medo, do tipo racional, é uma parte fundamental da nossa capacidade de sobrevivência. Pressentir o perigo verdadeiro e agir de acordo com ele é um instinto que vem servindo bem a nossa espécie pelos milênios afora.
CONCLUSÃO: Nada com um belo susto para curar um simples soluço!
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