Satoshi Kanazawa, psicólogo e pesquisador da London School of Economics and Political Science. publicou na revista científica Social Psychology Quarterly da American Sociologial Association, em março deste ano, um artigo através do qual ele defende a hipótese de que os liberais são mais inteligentes do que os republicanos. Melhor dizendo, que as pessoas de QI mais alto são mais propensas a se autoproclamarem liberais, ou democratas.
A hipótese de Kanazawa sugere que pessoas mais inteligentes são mais inclinadas a adotar o que ele chama de "prefências e valores evolucionários". São valores e preferências os quais os seres humanos não teriam uma tendência natural a adotar, eles teriam sido adquiridos ao longo da evolução humana, durante milhões de anos, e portanto não eram detidos por nossos ancestrais.
Os valores e preferências detidos por nossos ancestrais seriam, por sua vez, os de cunho "familiar", ligados a um certo instinto de preservação. Por esta razão, o ser humano seria naturalmente conservador, assim como seus ancestrais. E à medida que "evolui", caminha para uma tendência mais liberal, propensa a abrir seu "leque familiar" a pessoas estranhas, assumindo causas mais "cosmopolitas".
Este argumento baseia-se na ideia de que a habilidade do raciocínio foi se desenvolvendo em nossos ancestrais à medida que lhes apareciam situações inesperadas, às quais não haviam soluções inatas.
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| Os liberais se acham mais inteligentes... |
Um estudo mais antigo de Kanazawa revelou que indivíduos mais inteligentes têm hábitos noturnos, se levantam mais tarde e ficam acordados até mais tarde do que pessoas menos inteligentes.
Segundo o pesquisador, isto se dá porque nossos ancestrais, por não possuírem luz artificial, tendiam a se levantar pouco antes do amanhecer e se deitarem pouco antes do pôr-do-sol. Portanto, hábitos noturnos foram sendo adquiridos conforme a evolução humana.
Em sua pesquisa atual, o autor baseia-se em dados da National Longitudinal Study of Adolescent Health (Add Health) para sustentar sua hipótese. Segundo tais dados, jovens que identificam-se como "liberais radicais" possuem um QI com média 106 durante a adolescência, enquanto os que se dizem "conservadores radicais" possuem QI na média de 95.
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| ... e os republicanos também! |
De maneira similar, a religião seria um subproduto da tendência humana de buscar causalidades por detrás de fenômenos naturais. Esta seria um tendência "paranóica", segundo o pesquisador, de todo ser humano, uma tendência inata também ligada ao instinto de preservação e proteção.
Tal institnto seria responsável pela manutenção da espécie, posto que os clãs de nossos ancestrais demandavam uma vigilância extrema contra ameaças potenciais. Por esta razão, crianças mais inteligentes seriam mais propensas a crescerem se posicionando contra esta tendência natural em acreditar em Deus, tornando-se atéias.
Para tal afirmação, Kanazawa utiliza o dado de que os jovens que não se consideram nada religiosos possuem um QI de média 103, enquanto os que se consideram muito religiosos ficam na média de 97.
A pesquisa de Kanazawa é certamente deveras polêmica. Primeiramente porque sabe-se que qualquer neutralidade científica é discutível em qualquer área do conhecimento. Já vimos em nosso curso que 99% de nossos pensamentos não são racionais. Nosso cérebro está impregnado de metáforas, as quais invocam frames diversos.
A pergunta que me veio em mente quando li tal pesquisa foi a seguinte: este estudo não revela um posicionamento político? É difícil acreditar que que o autor seria republicano, obviamente... Até que ponto esta pesquisa é racional, imune de metáforas construídas bilogicamente no cérebro do autor ao longo de sua própria vida?
Para além de um estudo cientificamente neutro, a pesquisa suscita uma sensação de "já vi este filme", quando pensamos no Darwinismo social. Afinal, dá a entender que os liberais estão à frente na escala evolutiva humana - não seria uma pretensão muito grande? Enfim, fica a reflexão para um possível debate, mesmo que limitado no âmbito deste blog.
E para terminar com um pouco de humor (assim como fechamos nossa última aula de política interna norte-americana), segue uma charge bastante interessante sobre as diferenças entre republicanos e democratas:
Fontes: